segunda-feira, 2 de maio de 2011

“Racismo e Poder”
                                 Comunicação elaborada para a apresentação no CFP/UFRB IV Fórum Pró-Igualdade Racial e Inclusão Social do Recôncavo e a V Conferência da Negritude.
                                   por   David Brito e Geane Santiago

       Neste texto será abordado com o auxilio do pensamento político de Michel Foucault, um dos mais influentes pensadores franceses do século XX,  algumas perspectivas abertas por sua reflexão filosófica acerca das relações de poder de cunho racial existentes na sociedade moderna. Tentaremos compreender como foi criado, com que intenção e como se apresentam na sociedade atual os regimes disciplinares de controle, de classificação e vigilância dos corpos. Baseado no pensamento do filosofo francês especialmente a partir de textos da coletânea de artigos e entrevistas publicadas no Brasil com o título "Microfísica do Poder” e também textos contidos na “Historia da sexualidade” tomo I. Nosso foco será a compreensão de como se dão essas relações de poder que interferem na vida social brasileira, aliás, talvez fosse mais apropriado afirmar que se trata de relações de biopoder estabelecidas pelo racismo estatal que surge desde o século XVIII e se consolida no século XIX na Europa e no Brasil a partir do início do século XX. 
      Buscando interpretar, então, como as diversas formas de teorias racialistas ainda servem, até hoje, como base para políticas públicas (de direita e de esquerda) e quais seriam as principais chaves teóricas para pensarmos, a partir de Foucault, modos de resistência e superação deste regime de controle e vigilância que é sustentado, inclusive, nos discursos racistas de muitas lideranças políticas que defendem a igualdade racial. Nesse sentido, seria possível afirmar que muitas lutas acabam por sucumbir às estratégias adversárias ou de outro modo: o racismo (entendido aqui como apologia à desigualdade), combatido com pressupostos racialistas (que admitem as distinções científicas quanto à existência de raças - mesmo que com uma conotação culturalista), acaba por ratificar um regime de linguagem e de prática social que compromete a realização de alguns dos principais objetivos políticos das lutas sociais pela igualdade.

      O poder para Foucault é produto das relações humanas, “relações de poder”, esta concepção de poder deriva de uma compreensão  genealógica do poder ao longo da historia. Assim o poder, esta na relação cotidiana dos indivíduos, em toda parte, e em todos os setores da sociedade, todo individuo ou grupo é, simultaneamente, um e outro, deste modo o poder habita em cada um, e é constituído por um conjunto de relação de forças localmente difundidas, sendo que a resistência a estes mecanismos de poder esta em toda parte não apenas em uma disputa “maniqueísta” entre duas forças. Quem acredita no papel exagerado do Estado corre o risco de deixar escapar todos os mecanismos e efeitos de poder que não passam diretamente por ele. Sendo assim, o poder não deve ser pensado como fundamentalmente emanado de um ponto, em geral identificado como o Estado ou governo, mais sim como uma dinâmica, um “feixe de relações”. Tomando partido destas interpretações foucautianas, podemos perceber, através deste padrão relacional, ou melhor, destas “pluralidades de correlações”, que escalonam e hierarquizam, dando a possibilidade de compreender com mais intensidade a dinâmica, fragmentada, móvel e, às vezes conflitante, do poder em funcionamento na sociedade, isto seria a “Microfísica do Poder”
       O aparelho do estado com seu poder político se apoderam dos corpos, compreendendo que só através do controle dos corpos pode se gerir a vida coletiva e individual usando os saberes técnicos e científicos, as instituições e os meios de comunicação para disciplinar, modelar e reprimir os indivíduos cria leis, direitos e deveres para manter a ordem e padronizar as vontades. È claro que a vida não é imaginável sem controle e disciplina, mas até onde este controle deve ir? Se antes o poder fazia valer sua força pelo sofrimento físico e pela tortura, como o ritual do suplicio no séc XVII, hoje ele não tem rosto, não é mais o rei e nem o carrasco que detém o poder, agora ele esta em todos os lugares, na arquitetura, no sistema de educação, no olhar do outro sobre nós, quanto mais escondido e disfarçado mais eficiente é o poder, olhá-lo de frente saber como atua, é uma maneira de diminuir sua força.
       Podemos ter como exemplo de transformações dos mecanismos de poder o neo-racismo, que resulta de uma nova modalidade de racismo de caráter estatal, que foi sustentado por princípios científicos e técnicos, que se iniciou na era do biopoder, um poder de estado, que aponta para grupos os classificando como inferiores, patológicos, doentes, anormais, em oposição a grupos saudáveis, superiores e viçosos. Outra característica importante do neo-racismo seria a construção de um discurso que legitime suas praticas genocidas, é fazer com que as pessoas pensem que suas vidas somente são possíveis a custa da morte de outros, justificando a manutenção da vida de alguns pela deliberada eliminação de outro qualquer. Um jogo de chantagem que prega a eliminação do outro, como purificação da sociedade, uma função homicida do estado assegurada pelo racismo.
      A história nos lembra da colonização da America a partir do século XVI com aproximadamente 150 milhões de mortos, e nas guerras do século XX com aproximadamente 100 milhões de mortos. Foi como gestores da vida, e da sobrevivência dos corpos e da raça que levou a morte de milhares de pessoas, transformando a historia da humanidade em uma historia de horror, podemos citar holocausto na Alemanha, Apartheid na áfrica do sul, kukluxklan nos estados unidos e atentados terroristas em todo mundo. Como não se rebelar contra esta intolerância étnica de cunho racista, geridas por interesse político e econômico?
      Rebeldes negros que resistiram à autoridade e ao controle racistas de cunho político e econômico das ordens sociais a qual pertenciam, homens que mudaram de idéia, pensaram diferentemente, no Brasil colônia, temos o exemplo de rebeldia de Zumbi dos Palmeiras, que entendeu as particularidades de seu tempo, enxergou diferentemente e agiu de acordo com estas mudanças de seu pensamento, percebendo algo errado na ordem social, partiu para a resistência armada e direta, liderando o mais famoso quilombo, mas é claro que temos que levar em consideração que vivemos no século XXI, e mudando contexto histórico político, conseqüentemente é necessário mudar também as formas de “relação de poder”. Podemos lembrar mais recentemente de outro exemplo de resistência Nelson Mandela, grande homem que se opôs à apartheid como ativista, sabotador e guerrilheiro na África do Sul, após 28 anos preso por lutar contra a desigualdade racial, foi liberto em 1990 sendo que 1994 se tornaram presidente da África do Sul e proclamou “O passado ficou para traz” exemplo de alteridade e generosidade, diferentemente de seus algozes, que insistiram em um conceito não mais cabível, pregando rótulos de raça nas pessoas, fortalecendo assim ainda mais a desigualdade e acirrando os ânimos.
      Infelizmente racismo e preconceitos existem e são latentes e manifestos, e está dentro da subjetividade humana, como a imagem fotográfica de um filme não revelado, o preconceito com relação à cor da pele, portadores de necessidades especiais, contra os idosos, os homossexuais, contra os rotulados como feios ou menos favorecidos ao padrão de beleza estereotipado pela mídia, contra as pessoas de baixa renda, enfim, são arquétipos criados na subjetividade de uma sociedade intolerante, desigual e injusta. “Igualdade” para todos os cidadãos infelizmente soa como utopia, sendo que, o Brasil com tamanha diversidade étnica e, considerado um dos povos mais miscigenado do mundo, podemos tentar refletir a seguinte questão; como legitimar um critério que garanta a distribuição justa da justiça, sem correr o risco de que se instaure um etnocêntrismo velado, pregando tolerância nos discurso e sendo intolerânte nas reais intenções praticas? 




Sobre o Autor:
David Brito David Brito é graduado em Filosofia pela UFRB, ativista da informação digital e das redes, é organizador do Blog Outro Olhar.

domingo, 1 de maio de 2011

Reflexão do texto "Função social do filosofo" de Franklin L. e Silva

                        Reflexão 
                                         David Brito Silva
      Franklin na tentativa de observar a questão da “função social do filosofo”, utiliza como critério as bases das produções filosoficas, em sua “origem”, onde a sistematização conceitual aparece com Platão ao ater em Sócrates um comprometimento político com o destino de seus compatrícios, onde sintetiza um não abrir mão da verdade, buscando a abertura social através do saber e de reflexão constante. O filosofo neste sentido tem que compreender e desempenhar o seu papel como ator político na sociedade na qual está inserido, pois “o filosofo e um homem entre outros homens, e não uma alma desencarnada em contato com as ideias”, sendo assim, segundo Franklin, a referir - se ao discurso platônico do mito, o papel do filosofo político não seria apenas de um rei governante distante de seus súditos, mas sim de Educador disposto a retornar á Caverna da iguinorância e direcionar de forma pratica por meio da educação aquela sociedade.
      Já no pensamento moderno de Descartes ao inaugurar o “sujeito com consciência de si” através do “Cogito”, fica explicito que Descartes não tinha intenção de atuação política na sociedade, para Franklin, mesmo ao Descartes desenvolver seu método sem muita atenção a vida cultural de seu tempo, o alcance de sua filosofia trouxe conseqüências históricas no avanço técnico cientifico que inevitavelmente conjeturou a historia, política e conseqüentemente em toda sociedade a partir do século XVII.
    Mas segundo Franklin, a leitura de Pascal com relação à soberania da razão cartesiana é objurgatória, no sentido de identificar que esta “razão” é incapaz de “resolver verdadeiramente as contradições básicas de vida humana”, a própria concepção de “existência” é usado como exemplo de como a “razão hegemônica” em se tratando deste campo fenomênico, o conhecimento racional não é capaz de determinar. O filosofo não se opõe a historia, mas se opõe a tentativa de racionalmente o individuo compreender todos os eventos ou fenômenos da existência
      Em Nietzsche é que Franklin também observa as concepções filosóficas construídas por genealogia, que analisa a procedência da racionalidade, buscando uma negação destes conceitos pré- estabelecidos, que tiram de certa forma, a possibilidade de uma existência autentica do ser engajado em sua historia. È este ser de engajamento que segundo que Franklin analisa com o auxilio de Merleau-Ponty, “o engajamento só é possível se acreditarmos no sentido da historia”, assim sendo, o filosofo no agir social tem que levar em consideração as respostas produzidas ideologicamente, mas principalmente, tem compromisso de compreender as questões e interesses que estão em jogo nas produções de ideológicas, e primordialmente questionar as premissas das quais estamos presos sem perceber, buscando assim um sopro de ar fresco, buscando respostas claras e reconfortantes, compreendendo que o grande trufo do filosofo não é saber de tudo, e sim a busca de respostas para os mistérios.
       Acredito que com estes exemplos Franklin tenta mostrar que o filosofo deve assumir uma posição critica em seu tempo histórico, objetivando uma desmistificação através de investigação de todo conhecimento produzido que tenha a intenção de ordenar e direcionar, utilizando concepções racionais construídas ideologicamente.

David Brito Silva


Sobre o Autor:
David Brito David Brito é graduado em Filosofia pela UFRB, ativista da informação digital e das redes, é organizador do Blog Outro Olhar Amargosa.

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