terça-feira, 16 de setembro de 2014

LIVRO: Um país sem Excelências e Mordomias

Geração Editora lança “Um país sem excelências e mordomias”, da jornalista Claudia Wallin, livro que retrata um reino distante chamado Suécia, mas que tem muito a ensinar aos (e)leitores brasileiros.
Eleito o melhor ministro de finanças da Europa pelo jornal inglês Financial Times, Anders Borg vive em um apartamento de 25 m². Deputados espremem-se em exíguos 18 m². Não têm direito a nenhum luxo mesmo vivendo numa das nações mais ricas do planeta. E não aumentam os próprios salários. Não possuem carro oficial, motorista ou um cortejo de assessores. Andam de metrô, ônibus, bicicleta ou a pé. E correm o sério risco de caírem em desgraça – e até irem parar nas manchetes – se usarem táxi sem necessidade ou simplesmente por comprarem uma barra de chocolate com o cartão corporativo. Vereadores não têm salários. Políticos vivem em casas simples.

No Programa do Jô, Claudia Wallin fala sobre seu livro "Um País Sem Excelências e Mordomias".  
Veja o Vídeo Abaixo



Tudo isto parece fantasia, mas é a mais pura realidade, que a jornalista brasileira Claudia Wallin observou durante dez anos e transformou no livro “Um país sem excelências e mordomias”, que a Geração Editorial está lançando. A sociedade em questão é a da Suécia mas, ao longo da narrativa fluente e bem-humorada, o Brasil está presente como um espelho invertido. O que nos deixa cheios de inveja. Por exemplo: qualquer político é chamado simplesmente de “você”. O tratamento de “Excelência” foi abolido faz tempo.


Deputados e ministros lavam e passam suas próprias roupas! Claudia nos deixa ainda mais embasbacados quando entrevista o primeiro-ministro: aspirador em punho, ele limpa a própria casa! E, como se fosse pouco, dá dicas na imprensa sobre como fazer uma limpeza mais eficaz.
Quem sai da linha sofre o peso da lei. Nem as celebridades escapam. Suspeito de fraude fiscal, o cineasta Ingmar Bergman foi preso no próprio teatro e arrastado para dar explicações. Teve um infarto, mas não foi perdoado.



Ao ler este espantoso livro sobre a Suécia, mais parece que estamos lendo um livro de ficção científica, sobre um país utópico qualquer. Mas como isso pôde ser possível? Como a democracia pôde se consolidar naquele país gelado, habitado no passado remoto por um bando de selvagens louros que a lenda desenhou vestindo peles e usando chifres na cabeça?


“História. Educação. Reforma política. Construção e defesa de instituições sólidas. A Suécia, há menos de 100 anos, era um país pobre, mas habitado por um povo determinado a sair da pobreza e do atraso. E conseguiu”, afirma Luiz Fernando Emediato, editor e publisher da Geração Editorial. O segredo – que não é segredo, segundo Emediato – é sempre o mesmo: “investimento em educação, ciência, tecnologia, justiça, projetos nacionais integrados”.


“Um país sem excelências e mordomias” não é apenas uma fotografia do presente. Vasculhando no passado os fundamentos da democracia sueca, Claudia viaja até as comunidades vikings e seu costume de tomar decisões, em grupo e no voto, passa pela Idade Média e o tumultuado século 19. Entrevista ministros, deputados, jornalistas, prefeitos, juristas, cidadãos para desvendar este universo tão distante dos brasileiros. E encontra o tripé que gerou e mantém este país singular: transparência, alta escolaridade e igualdade social. É, ainda, uma receita poderosa contra a corrupção.


O posfácio do livro, escrito de forma brilhante pelas jornalistas Izabelle Torres e Josie Jerônimo, traz uma aula para o Brasil, que sustenta o segundo congresso mais caro do mundo – atrás apenas dos Estados Unidos. E nesse desfecho que nosso país emerge do subtexto e sobe a superfície com suas mazelas. Aqui, política é sinônimo de mordomia e cada parlamentar custa US$ 7,4 milhões/ano. No Brasil, ministros viajam de jatinhos da Força Aérea Brasileira, possuem carro com motorista e privilégios na alfândega. De vez em quando, pegam carona em aviões de empresários, ganham presentes…


Deputados contam com verbas altas para tudo – gasolina para automóveis e aviões, comida, assessores, passagens. Ministro viajar em aviões da FAB é normal e legal. Pegar carona em aviões de fornecedores do governo, não – e eles são denunciados quando surpreendidos. Mas isso é o de menos, como você vai ver neste livro que, ao tratar de um país distante – a Suécia – nos faz lembrar a todo tempo do Brasil.


No Brasil, o sistema de governo – analisa Emediato – é de República Presidencialista, com um Executivo, um Legislativo e um Judiciário, mas, que coisa estranha, o Judiciário legisla, o Legislativo participa do Executivo, nomeando ministros, secretários e altos funcionários de bancos e estatais, e o Executivo também legisla… A “res publica”, a coisa pública, torna-se imediatamente propriedade privada, de pessoas, grupos e corporações.


Pudera, os parlamentares têm direito não aos cubículos de 18m², mas a imensos apartamentos, alguns com banheira de hidromassagem e mobília de grife. Presidentes e governadores moram em palácios, enquanto os 11 ministros e o STF consumirão R$ 564 milhões neste ano.


Assim como é fascinante ler este livro, é desanimador concluir que ainda falta muito, mas muito mesmo, para o Brasil atingir um nível de civilização que nos permita ombrear com as democracias de verdade. Sem reforma política – por uma Comissão Independente, pois o Congresso atual não a fará – e sem investimento em educação nada ou pouco se obterá.


Como se percebe, Um país sem excelências e mordomias tem muito a ensinar ao leitor e, sobretudo, ao eleitor.


Sobre a autora
CLAUDIA VAREJÃO WALLIN é jornalista e consultora radicada na Suécia desde 2003, graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e mestre em Estudos sobre a Rússia e o Leste Europeu pela Universidade de Birmingham, na Inglaterra. Foi repórter e redatora da editoria internacional do jornal O Globo até se transferir para a Inglaterra, onde trabalhou durante dez anos como diretora da International Herald Tribune TV, chefe do escritório de jornalismo da TV Globo em Londres e jornalista da seção brasileira da BBC World Service.



UM PAÍS SEM EXCELÊNCIAS E MORDOMIAS
Uma incrível visita a uma das democracias mais ricas do mundo, onde os políticos ganham pouco, andam de ônibus, cozinham sua comida, lavam e passam suas roupas e são tratados como “você”. No Brasil…
Autora: Claudia Wallin
Selo: Geração
Gênero: Reportagem
Acabamento: Brochura
Formato: 15,6 x 23 cm
Págs: 336
Peso: 494
ISBN: 9788581302379
Preço: R$ 39,90
E-book
e-ISBN: 9788581302386
Preço: R$ 19,90
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***Com a colaboração da Geração Editorial
É necessário má-fé para cair na campanha do PT contra Marina
Me engana que eu gosto - 16/09/2014 - Eliane Cantanhêde - Colunistas - Folha de S.Paulo
BRASÍLIA - Marketing é coisa de gênio e nós, meros mortais, não somos gênios. Mas também não precisam tratar os 145 milhões de eleitores do país como idiotas.
Querer vender Marina como "elite branca", quem sabe como "elite branca de olhos azuis", quem sabe até como "elite branca de olhos azuis do capitalismo paulista", vai colar?
Depois do sociólogo, do migrante nordestino e da primeira mulher, faz sentido uma mulher negra, saída dos cafundós do Acre e alfabetizada a duras penas aos 16 anos. Um "Lula de saias". Daí o pânico da campanha de Dilma. O poder da imagem de Marina, a força da sua simbiose com a maioria do povo brasileiro.
E lá vem Dilma e sua propaganda deformando a cor, a cara, a imagem, a história e as intenções de Marina, adulterada como representante de banqueiros e um perigo para o prato de comida dos pobres. E lá vem João Pedro Stedile, do MST, ameaçando invadir tudo, todo dia, se ela vencer. É a implosão da Marina real e a construção da Marina "de direita".
Será que os eleitores brasileiros somos tão imbecis, caímos como patinhos em qualquer lorota? Ou será que só cai quem é manipulável e quem está pendurado nas boquinhas e verbonas, na promiscuidade entre o público e o privado? Para cair no engodo, na "genialidade" da propaganda, só por ignorância ou por má-fé, pura e simples.
Se Lula saiu de um casebre do interior de Pernambuco, Marina emergiu de um seringal do Acre. Se Lula fez curso de torneiro mecânico, Marina teve de lavar chão para formar-se em história. Se Lula se tornou o grande líder sindical no Sul Maravilha, Marina impõe-se na órbita do ambientalista Chico Mendes.
A diferença é que Lula se rendeu aos lucros estratosféricos do setor financeiro, aos jatinhos das empreiteiras, às vantagens camaradas para filhos e noras e aos convescotes das oligarquias políticas mais atrasadas. Logo, o candidato dos sonhos dos banqueiros não é Marina. É Lula.

eliane cantanhêde
Eliane Cantanhêde, jornalista, é colunista da Página 2 da versão impressa da Folha, onde escreve às terças, quintas, sextas e domingos. É também comentarista do telejornal 'GloboNews em Pauta' e da Rádio Metrópole da Bahia.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

VÍDEO: Cientista Politica afirma que o "medo" é utilizado como estrategia de campanha








Vídeo Abaixo






 A TV Folha entrevista José Antonio Lavareda, sociólogoescritor e cientista político brasileiro, especialista em comportamento eleitoral e campanhas políticas, ela  fala sobre a atual momento da conjuntura eleitoral  de 2014. Para o cientista político, que já participou de dezenas de campanhas em todo o país, medo e raiva são dois sentimentos usualmente utilizados na política.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

PESQUISA:Em quem os seus amigos do Facebook vão votar para presidente?

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Em quem os seus amigos do Facebook vão votar para presidente? Não é um teste científico, mas clique para ver quais amigos seus curtiram cada candidato.                                  

Marina Silva (PSB): clique aqui para ver.

Dilma Rousseff (PT): clique aqui para ver.

Aécio Neves (PSDB): clique aqui para ver.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

José Eli da Veiga :Quem tem medo de Marina Woolf?
Os intelectuais que votarão em Marina Silva com muita tranquilidade e entusiasmo entendem perfeitamente o atual desespero de seus colegas social-democratas, que preferem as candidaturas petista ou tucana. Nem por isso devem deixar passar calados às tentativas de desqualificação, venham de quem e de onde vierem.
Como ateu -mas, principalmente, como radical adepto do darwinismo generalizado- só posso entender as religiões como frutos da adaptação cultural. Por isso, não tenho dúvida em optar pelos valores humanos que orientam Marina, seja lá qual for a sua íntima crença sobre a origem do Universo e da vida. Além disso, ela nada tem de criacionista, como esclareceu no programa "Roda Viva" da TV Cultura.
O que me interessa é escolher para presidente alguém que realmente respeite um razoável código de ética, em vez de prevaricar, como fizeram Dilma Rousseff e José Serra na campanha de 2010.
Quando surgiu aquela tremenda indignação ecumênica contra a terceira versão do Plano Nacional de Direitos Humanos, lançado em 2009 pelo governo Lula, parlamentares evangélicos e católicos mobilizaram-se principalmente contra a proposta de descriminalização do aborto. Os pentecostais também se posicionaram radicalmente contra o projeto de lei Câmara nº 122/2006, que transformaria em crime a homofobia. Foi assim que esses temas acabaram sendo priorizados na campanha eleitoral.
Pois bem, Dilma Rousseff, que antes se declarara "agnóstica", empenhou-se em não perder sequer uma missa para fingir ser fervorosa católica. Atitude que foi muito bem aproveitada por lideranças e parlamentares evangélicos para cobrar-lhe repúdio a qualquer projeto "contra a vida e os valores da família". Exigiram seu compromisso de veto a projetos favoráveis ao aborto, à união civil, à adoção de crianças por homossexuais e à regulamentação da atividade de profissionais do sexo. Ela se comprometeu com tudo.
A reação da campanha petista também foi de se voltar às hostes evangélicas ressaltando que a terceira versão do Plano Nacional de Direitos Humanos já estava sendo revisto pelo governo, que sua candidata era "a favor da vida" e que, por isso, uma vez eleita, não tomaria qualquer iniciativa de mudança na legislação sobre o aborto, assim como sobre questões relativas à família e à liberdade religiosa.
Ironicamente, a única candidatura com algum peso a fazer campanha laica foi a da terceira colocada, a missionária acreana Marina Silva (então no PV, hoje no PSB/Rede Sustentabilidade), como enfatiza o pesquisador Antônio Ricardo de Souza, da Universidade Federal de São Carlos, no artigo "Meandros da força política evangélica no Brasil", publicado pela revista "Cultura y Religión" no final de 2013.
Não me enganei, portanto, quando em 2006 sugeri aos meus melhores amigos petistas que começassem a articular a candidatura de Marina Silva para a sucessão de Lula. Só vim a conhecê-la pessoalmente em 2008, e nesses seis anos só aumentou minha convicção de que ela teria sido infinitamente melhor para o Brasil do que Dilma Rousseff.
Os valores da missionária evangélica do Acre são infinitamente superiores àqueles preferidos por materialistas vulgares de todos os quadrantes. Basta notar como acatam e justificam a nojeira praticada pelo "peemedebismo" dos dois oligopólios partidários conduzidos por partidos social-democratas.
Em suma, por que deveria eu ter aversão a uma crente que nutre muito mais respeito pela diversidade cultural e pelas liberdades civis do que a esmagadora maioria dos intelectuais petistas e tucanos?
JOSÉ ELI DA VEIGA, 66, é professor sênior do Instituto de Energia e Ambiente da USP e autor do e-Book "The Global Disgovernance of Sustainability"