quinta-feira, 26 de março de 2015

Em Jabuticapólis, a culpa não é das estrelas, a culpa é dos alienígenas

     Jabuticapólis é a nação dos meneios carnavalescos, e na última década, constituiu-se na Canaã dos Trópicos, “a terra onde corre leite e mel” e petróleo. Jabuticapólis é o país autônomo, liberto das garras vorazes do selvagem imperialismo ianque, porto ideológico de solidariedade proletária que resiste à tempestade de maldades da burguesia. Jabuticapólis é a Atenas Contemporânea, nascedouro de Grandes Estadistas e celeiro de heróis que se sacrificam em prol dos anseios do povo.
   Jabuticapólis é a ilha idealizada por Thomas Morus na obra Utopia, onde o poder executivo concentra-se em Cleópatra de Pindorama, hábil governante com uma retórica irretocável, que teve como preceptor e padrinho político, o semideus Ramsés III de Garanhuns. Recentemente, Jabuticapólis foi torpedeada por um suposto escândalo de corrupção na empresa estatal de petróleo, intitulado de “Petrolão”. É óbvio que Cleópatra de Pindorama não teve culpa neste escândalo, coitada, ela não sabia de absolutamente nada. A “presidenta” de Jabuticapólis, títere de Ramsés III de Garanhuns, já demonstrou diversas vezes a máxima competência na arte de governar.
    Jabuticapólis é a Atlântida dos dias atuais, planejada e corporificada por Ramsés III de Garanhuns, grande líder sindical e pai dos trabalhadores. Ramsés III de Garanhuns é o símbolo das classes menos favorecidas, ser humano de origem humilde e dotado de infalibilidade. O governo de Ramsés III de Garanhuns foi absolutamente incorruptível, porém, um conluio entre a “mídia golpista”, a “elite branca” e a “burguesia”, tentou macular a sua gestão ao inventar um esquema de corrupção que ficou conhecido como “Mensalão”. Iluminado por Osíris, Ísis e Hórus, Ramsés III de Garanhuns provou que o esquema supracitado foi uma mera invenção de conspiradores aliados à “direita conservadora”.
   Jabuticapólis é a edição hodierna da Academia de Platão, cuja “presidenta” se tornou uma defensora intransigente da educação. Cleópatra de Pindorama transformou Jabuticapólis na “Pátria Educadora”: aumentou o orçamento da educação, promoveu uma política de valorização do professor jamais vista na história da humanidade e investiu maciçamente na melhoria da infraestrutura das escolas. Cleópatra de Pindorama fez jus a sua biografia ao guarnecer a educação em Jabuticapólis, pois sempre demonstrou apreço pela cultura letrada. Quiçá Cleópatra de Pindorama seja a Hannah Arendt do Século XXI.
    Jabuticapólis atingiu o ápice do desenvolvimento humano e econômico, paradigma de progresso para as nações do mundo. A erupção desenvolvimentista de Jabuticapólis deve-se exclusivamente à eficiência governamental de Ramsés III de Garanhuns, cujo legado foi ampliado por Cleópatra de Pindorama. Nesta conjuntura de progresso, Jabuticapólis despertou a inveja dos imperialistas da Terra e do Universo. Logo, emergiu uma conspiração alienígena que objetiva instaurar o impeachment de Cleópatra de Pindorama. A “mídia golpista”, a “elite branca”, a “burguesia” e a “oposição que promove um 3º turno” são apenas marionetes dos alienígenas. Em Jabuticapólis, os alienígenas são os culpados por todos os problemas. Em Jabuticapólis, a culpa não é das estrelas, a culpa é dos alienígenas.

                                                                                                            Tosta Neto, 26/03/2015

Tosta Neto (Escritor e Historiador) - Colunista do Outro Olhar

 
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